Update: projeto caveira

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No início deste blog, faz já 2 anos, eu postei uma imagem de uma caveira de plástico (aqui) que iria transformar em terreno. Encontrei-a outro dia e decidi retomar o trabalho, fazendo duas secções de muralha em floormate. Só falta pôr numa base e pintar, espero que seja nos próximos dias.

Crítica: Terreno em papel

Como prometido neste post, venho aqui falar de terreno de jogo em papel.

Para a maior parte dos gamers de miniaturas, este assunto é tabu. Parte deles querem que a experiência seja o mais elevada possível, por isso só querem peças oficiais em plástico ou resina. Outra parte deles nunca viu um resultado decente de edifícios e outros traços paisagísticos em papel. Mas eu venho aqui para esclarecer todo este assunto.

Primeiro, papel não é resina. Por isso é impossível ter trabalho detalhados e perfeitos. Segundo, papel não é durável: se for mal guardado e alguém colocar algo pesado em cima da criação, ela estraga-se irremediavelmente. As principais vantagens residem no facto de que é fácil e rápido de fazer, é barato e altamente personalizável.
Tudo isto começou quando precisei de terreno para jogar um pouco nas férias. Como me ia deslocar para longe, não podia levar um saco do meu terreno em madeira/floormate/plástico porque já ia tudo cheio de malas. Daí ter dado uma hipótese ao papel, só precisava de levar 1 pasta com 25 folhas. Numa noite procurei alguns modelos à borla na net, compilei uma lista do que precisava na mesa e organizei uma série de modelos a imprimir. No dia seguinte fui ao meu fotógrafo local para as imprimir, pois impressão em casa não é tão boa e fica muito mais cara. Tudo isto não deve ter demorado mais do que 2 horas. Sendo um homem precavido, comprei uns tempos antes uma resma de papel folhas A4 de 250gr onde imprimir os modelos. É basicamente papel de cartolina, mas pronto para impressão, podem encontra-lo em qualquer grande superfície especializada em venda de material de escritório. A diferença de usar este papel, é que é resistente. Pode não ser cartão, mas as minhas experiências de colar modelos em cartão não correram muito bem, a cola não fica uniforme e depois descola-se tudo.

E foi com 25 folhas de modelos impressos que me preparei. No meio da pressa da saída de férias, não tive tempo ou lembrança de levar material de trabalho, por isso tive de comprar cola, tesoura, x-acto e régua. Com isto tudo, e em 2 tardes fiz o seguinte terreno, que já viram ante neste post:


1 Pavilhão grande com escadas, 1 casa com telhado, 3 barracões, 1 cabana oficina, 4 contentores e 6 armários/coisas-pequenas-para-encher. As pilhas de tubos são apenas palhinhas comuns coladas, eficazes e com bom aspecto.

Principal vantagem disto tudo? Mesa de jogo feita em 2 tardes, por menos de 15€. 5€ da resma de papel, a qual só usei metade. 5€ da impressão no fotógrafo. Perto de 5€ para cola/tesoura/x-acto. Digam-me só se isto não dá que pensar?

Inspirações: mesa de jogo assombrosa

Nas minhas deambulações pela net encontrei uma mesa feita por uns belgas para o jogo Malifaux. Está muito boa, seguindo a temática steampunk/western/fantasia. Deixo algumas imagens só para verem o que se pode fazer com apenas 2 meses de trabalho. São coisas como estas que dão inspiração para continuar a trabalhar.

Se querem acompanhar a criação da mesma, os criadores fizeram um log nos fóruns de Malifaux, e está bastante completo. Vale a pena espreitar no seguinte LINK.

Para mais fotos da mesa, vejam a galeria aqui no Lead Adventure

P.S.: Reparo agora que este é o post 50! Nunca pensei fazer tanto, principalmente porque não faço posts por dá cá aquela palha, tento sempre pôr coisas interessantes e completas. Venham mais 50, 100, 200, etc.!

Update 07-03

Só para deixar aqui as imagens das coisas terminadas desta última semana.

Primeiro os dois módulos de rio terminados, mas sem água cénica. Tenho pouca (cerca de 250ml) e é cara!

Segundo, três “feijões” de terreno difícil feitos a partir de bases de madeira laminada, pedras  de floormate, erva de veludo autocolante. Fiquei bem contente com o resultado final, ficou bem limpinho e foram feitas bem rápido. Espero que durem bem e que o veludo não se descole facilmente…

Em último, 2 minis de Hordes para o meu irmão que estive a montar. Um Dire Troll Mauler e um Feralgeist. Estranhamente o Feralgeist deu-me bem mais trabalho a montar por ser tão difícil de juntar as duas metades. Comparativamente, o Dire Troll foi uma brisa a montar. De qualquer das maneiras, as minis de Hordes são muito giras mas são do mais complicado de montar. Super-cola não funciona, nem os encaixes permitem o seu uso, por isso tem de ser tudo a green stuff. E depois têm ângulos de junções complicados e poses que não ajudam a que o green stuff seque. Uma chatice, mas que vale a pena, o resultado final é muito bom!

Mais módulos

Como prometido na secção de micro-blogging à direita (->), aqui está uma imagem dos dois novos módulos da mesa de jogo.

Até agora foi simples, placas de Floormate cortadas em 60cm x 60cm, autocolante de veludo cortado em zigzag  e colado directamente no Floormate. Para a textura do rio usei apenas em ferro de soldar quente.

Na imagem ainda está mais um pequeno abrigo feito de placas de cortiça, com telhado de cartão canelado. Feito em pouco mais de 30 minutos, pintura e tudo sem contar tempo de espera para secar a cola e tintas. E também o achado do dia, 9 dados encontrados numa local loja dos chineses por 0.70€. Não são os melhores do mundo, mas desenrascam bem se não tiverem onde os comprar.

Agora estou numa encruzilhada: deixo ficar o rio assim, meto alguma areia, pinto-o um pouco e está feito, ou aprofundo o rio, encho com água cénica (que tenho aí a chegar pelo correio) e espero que fique bem? Estou aberto a sugestões (hint para me deixarem comentários no post 😉 )

Ponte romana terminada

Comecei a fazer esta ponte ao mesmo tempo que iniciei a mesa, e terminei-a quase a mesmo tempo. Sim, isto quer dizer que a mesa temática está por dias.


Fiz a base em cartão prensado, duas peças para os lados e 3 para o passadiço. Foi tudo feito a olho, por isso não me peçam planos. Colei tudo com cola branca e depois de seco, cobri tudo com jornal embebido em cola diluída, tal como fiz na mesa. Para as pedras usei massa de modelar, rolando pequenas bolas e aplicando-as directamente no papel de jornal. Fixaram-se bem, tirando algumas que ficaram soltas mas que facilmente se recolocaram com cola. Agora que olho para trás, se calhar teria sido melhor fazer as pedras primeiro, deixa-las secar bem e só depois colar tudo no sítio. Para as segurar bem à base, passei uma camada de cola diluída por toda a ponte. Isto deu um aspecto consistente às pedras que pareciam estar muito separadas. Após seca, pintei de cinza escuro e fiz um dry-brush de branco acinzentado. Para terminar colei flock verde no espaços mais afastados entre as pedras, colei alguma areia e avivei tudo com cores claras. Ainda passei tinta verde aguada no exterior para simular limos e mais musgo.

Tive alguns problemas com as tintas durante o trabalho, mas não estragaram o trabalho final. A cola usada para aplicar o flock estava muito diluída e fez correr o cinza, e o flock também vazou tinta verde. Para a próxima meto mas é tudo no forno para secar bem.

Mesa dos Romanos está quase!

E aqui está ela:

No meio da confusão da garagem, ela vai-se embelezando. Hoje fiz as seguintes modificações:

– drybrush leve de verde por algumas zonas da mesa;
– aplicação do flock verde usando cola de madeira diluída em água;
– pintura do rio com base branca, cor principal azul clara mesclada com branco para dar a ilusão de espuma na água, highlights de branco para reforçar o efeito de rio caudaloso.

O flock tapou imensas marcas que a mesa tinha e que estragavam o realismo (buracos na madeira, tiras de jornal colado, etc.) e foi muito fácil de colocar. O rio acabou por ficar melhor do que eu esperava, só falta dar um toque nas margens com mais flock e tinta e fica bom. Fica a faltar a parte que vai transportar todo o conjunto para o tempo dos romanos, a estrada ladrilhada. Planeio fazê-la com pedaços de cartão cortados em pequenos quadrados e colados directamente na mesa. Depois pinto tudo de cinza, adiciono alguma areia para dar realismo e dou-lhe um wash de castanho. Espero que o próximo post sobre esta mesa seja com o trabalho completo.

Já agora um conselho se vão fazer alguma coisa com pauzinhos de gelado: limpem-nos bem porque mais tarde ou mais cedo o bolor aparece. A torre de menagem que se vê no topo da montanha foi feita com eles e fui encontrá-la com uma camada cinza-esverdeada a cobri-la. Lavem-nos bem com sabão e não deve haver problemas.

Até à próxima, Boas Festas!